Definição
Refrigeração líquida é uma tecnologia de resfriamento de servidores que utiliza líquidos (em vez de ar) para dissipar o calor gerado pelos componentes eletrônicos. É uma técnica adotada em data centers modernos que buscam maior densidade de processamento e menor PUE.
Tipos de refrigeração líquida
1. Direct-to-Chip (DTC)
O líquido refrigerante circula por cold plates fixados diretamente sobre a CPU/GPU. É o tipo mais comum e o que a RT-One declara usar.
- Eficiência: Remove ~70–80% do calor dos chips
- PUE típico: 1,1–1,2
- Desvantagem: Ainda precisa de ar para os demais componentes
2. Refrigeração por imersão
Os servidores são completamente submersos em um fluido dielétrico (não condutor). O líquido absorve o calor e é resfriado em trocadores externos.
- Eficiência: Remove ~100% do calor
- PUE típico: 1,02–1,05
- Desvantagem: Manutenção mais complexa
3. Rear-door heat exchanger
Radiadores montados na parte traseira dos racks de servidores. O ar quente passa pelo radiador antes de sair do rack.
- Eficiência: Moderada
- PUE típico: 1,2–1,3
Vantagens sobre refrigeração a ar
| Característica | Ar | Líquido |
|---|---|---|
| PUE típico | 1,5–2,0 | 1,02–1,3 |
| Densidade de racks | 5–15 kW | 20–100+ kW |
| Ruído | Alto (ventiladores) | Baixo |
| Espaço físico | Maior | Menor |
O mito do “zero consumo de água”
Empresas frequentemente vendem a refrigeração líquida como “zero consumo de água”. Na prática:
- Circuito fechado não significa zero consumo: O sistema perde água por evaporação e purga
- A água ainda circula: Precisa ser reposta periodicamente
- A RT-One admitiu: Em Maringá (PR), captação direta do Aquífero Guarani para os trocadores de calor
Caso RT-One Uberlândia
A RT-One declara usar refrigeração líquida em circuito fechado com PUE-alvo abaixo de 1,2. Solicitou ao DMAE o fornecimento de 2,77 L/s (239.300 litros/dia) de água potável. Especialistas questionam:
“Algo é ‘sustentável’ em relação a algum parâmetro de referência. Isso não significa que não exista impacto.” — Lourenço Diniz Faria, UFU