Edição nº 7 — Maio de 2026
Data Center Uberlândia
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RT-ONE • UBERLÂNDIA, MG • 1 000 000 m²

Anatomia de um data center que ainda não existe.

Seis bilhões de reais, quatrocentos megawatts e zero licença ambiental. Como o maior projeto de IA da América Latina foi anunciado no Triângulo Mineiro — e por que MPF, Câmara Municipal e pesquisadores da UFU estão pedindo para parar e olhar.

Água potável solicitada
2,77 L/s
239,3 mil litros/dia ao DMAE — fase 1 (100 MW).
Capacidade contratada
100 →400 MW
Subestação Cemig dedicada em negociação final.
Equivalência residencial
1,6 mi
Casas brasileiras a 400 MW em 24h (G1, Brasil247, 2025).
Investimento anunciado
R$ 6 bi
US$ 1,2 bi. Rodada de R$ 15 bi liderada pela Hitachi.
Licenças ambientais
0
Sem LP, LI ou LO na Semad/FEAM-MG até 09.05.2026.
Seção I

Pouca água, no papel.

Em termos absolutos, 2,77 L/s não chega a entrar entre os dez maiores consumidores da cidade. Em termos sistêmicos, é exatamente esse tipo de cálculo restritivo que críticos do projeto contestam.

O DMAE aprovou em fevereiro a viabilidade do fornecimento de 239,3 mil litros de água potável por dia para o data center. O parecer técnico afirma que o pedido “não trará impacto na produção de água tratada da cidade” e cita a presença de várias indústrias multinacionais no município como referência. O prefeito Paulo Sérgio (PP) resumiu em 23/02/2026: o consumo será menor do que o de um conjunto habitacional de 300 casas.

A conta, contudo, abrange apenas a primeira fase do empreendimento — 100 MW dos 400 MW projetados — e considera apenas a água potável da rede pública. Não inclui a água embarcada na geração elétrica nem o cenário admitido pela própria empresa no projeto irmão de Maringá (PR): captação subterrânea para refrigeração, incluindo o Aquífero Guarani, com retorno do líquido via trocadores de calor.

Em Uberlândia, o predomínio é do Aquífero Bauru, com poços entre 100 e 300 metros, segundo estudos da UFU. Nas peças públicas obtidas, o cenário de captação direta não foi formalmente descartado. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara registrou, em ata da audiência pública de 26/03/2026, a preocupação de que “todo o aquífero poderá ser afetado”.

239,3mil
Litros / dia — fase 1
Vazão máxima solicitada à concessionária local. Aprovação técnica do DMAE em fev/2026, com base no argumento de que o pedido não entraria no rol dos dez maiores consumidores da cidade.
Comparativo Vazão
Vazão solicitada — data center
DMAE, fev/2026
2,77
L/s
Capacidade conjunta das 3 ETAs
Sucupira + Bom Jardim + Capim Branco
2.600
L/s
Consumo per capita médio
Sinisa, Uberlândia
259
L/hab/dia
Pico per capita 2023
verão, capacidade no limite
320,4
L/hab/dia
Conjunto habitacional (300 casas)
comparativo da prefeitura
1,9
L/s
“Em um cenário de intensificação das mudanças climáticas, com maior frequência de secas severas e eventos climáticos extremos, a presença de consumidores intensivos de água pode agravar pressões já existentes sobre os recursos hídricos.” — Daniel Caixeta Andrade — Instituto de Economia / UFU
Alerta

A RT-One admitiu publicamente em Maringá a possibilidade de captar água do Aquífero Guarani. Em Uberlândia, o cenário não foi formalmente descartado — qualquer captação subterrânea dependeria de outorga do IGAM-MG.

Seção II

Quatro megawatts, 1,6 milhão de casas.

Cem megawatts de demanda inicial. Quatrocentos, no horizonte. A Cemig diz que o sistema regional comporta — mas avisa que “desabastecimento em nível nacional não é de sua responsabilidade”.

A 400 MW operando vinte e quatro horas, o data center da RT-One consumiria cerca de 9,6 GWh por dia. É o equivalente, segundo levantamentos do G1, Brasil247 e Correio Braziliense, ao consumo elétrico de 1,6 milhão de residências brasileiras. Para referência local: o setor industrial inteiro de Uberlândia consumiu 547 808 MWh em 2020.

Em resposta ao inquérito civil do MPF, a Cemig concluiu que “o sistema elétrico regional apresenta condições técnicas adequadas para absorver a carga adicional solicitada, sem comprometer a qualidade e a continuidade do fornecimento local e regional”. Ressalvou, porém, que “o impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade”.

A RT-One declara que o portfólio será “100% energia renovável”, combinando hidrelétrica, solar e “potencial de hidrogênio verde”. Em Uberlândia, a injeção é via Sistema Interligado Nacional pela Cemig — sem dedicação a uma fonte específica de geração. Até esta data, não há autorização específica do ONS para o empreendimento.

Comparador interativo
Demanda contratada: 100 MW
Arraste para simular a expansão de 100 (fase 1) a 400 MW (capacidade declarada).
100 400
Consumo diário
2,40GWh / dia
2.400 MWh em 24 h, operação contínua.
Equivale a
400.000residências
A 6 kWh/dia por casa (média EPE, mar/2025).
vs. indústria de Uberlândia
1,60×setor inteiro
Setor industrial inteiro consumiu 547 808 MWh em 2020.
Cada quadrado = 667 residências brasileiras
“Para o Brasil ser de fato protagonista na transição energética, precisamos atrair demanda de indústrias intensivas em energia renovável. Precisamos incentivar data centers a virem para o Brasil. Claro que os data centers têm que vir para cá.” — Reynaldo Passanezi Filho — CEO da Cemig, seminário Energia para o Futuro, jan/2026
Ressalva da Cemig ao MPF

A própria Cemig registrou que “o impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade” — frase destacada por críticos como concessão tácita de risco sistêmico.

Seção III

O que chega à casa de quem mora ao lado.

A cerca do canteiro tem 1 km de lado. Mas o que sai dela — ruído, partículas, demanda hídrica, despacho elétrico — atravessa o muro. Cinco caminhos pelos quais o data center entra na vida de quem mora em Pequis, Monte Hebrom e Chácaras Douradinho.

Comunidades vizinhas — MGC-497
Pequis rota MGC-497, sentido Prata / Monte Hebrom comunidade rural — restrição hídrica registrada / Chácaras Douradinho consulta prévia (Conv. 169 OIT) reivindicada
01
Ruído

Chillers e geradores não dormem.

Um campus de data center opera vinte e quatro horas, sete dias por semana. As fontes de ruído não desligam.

Fonte
0 dB
20 dB
40 dB
60 dB
80 dB
100 dB
Nível
Cerrado rural (referência)
30dB
OMS — limite noturno residencial
45dB
OMS — limite diurno residencial
55dB
Perímetro do campus (estimativa)
67dB
Próximo a chillers e transformadores
88dB
Geradores a diesel (back-up)
95dB
Mecanismo

Sistemas de refrigeração líquida, transformadores de alta tensão e geradores de back-up emitem ruído contínuo de baixa frequência. Em zona rural, com baseline ambiental próximo a 30 dB, o contraste subjetivo é maior do que sugerem os números absolutos — propaga-se a centenas de metros.

Evidência

Levantado na audiência pública por Luana Leite Guimarães Santos (CRBio-04), que invocou o Princípio da Precaução da Política Nacional do Meio Ambiente. Sem estudo de impacto acústico publicado pela empresa.

Fontes — Audiência pública 26.03.2026 · CRBio-04 · OMS
02
Torneira

Sedimento, gosto, cor — quando o tratamento opera no limite.

A vazão pedida pelo data center é pequena no agregado. Mas a água da rede já vinha estressada antes do projeto.

Capacidade conjunta das 3 ETAs Sucupira + Bom Jardim + Capim Branco — pode escalar a 4 000 L/s
2.600 L/s
Consumo per capita médio (Sinisa) baseline operacional
259 L/hab/dia
Pico recorde 2023 verão, capacidade no limite
320,4 L/hab/dia
Pico fim-de-semana ago/2025 ETAs operando próximas do teto
300 L/hab/dia
Mecanismo

Quando as ETAs operam mais próximas do limite — picos de verão, estiagem, novo consumidor pesado — o tempo de retenção e a velocidade de filtração caem. Turbidez residual sobe; cor aparente, gosto metálico e sedimento aparecem na torneira. É o sinal operacional de que o sistema está sob pressão.

Evidência

Uberlândia caiu 10 posições no Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil — da 11ª para a 21ª, pior resultado da série histórica. Investimento de R$ 69,89/hab vs. R$ 225/hab recomendados pelo Plansab. Bairros do entorno já enfrentam restrições.

Fontes — Trata Brasil 2026 · Plansab · DMAE · audiência pública
03
Conta de luz

A bandeira sobe para todo mundo.

A Cemig confirma viabilidade regional. Mas reconhece, por escrito ao MPF, que “desabastecimento em nível nacional não é de sua responsabilidade”.

Verde
+0% encargo
Hidrelétricas com reservatórios cheios — sem encargo.
Amarela
+25% encargo
Despacho térmico moderado — encargo por 100 kWh.
Vermelha I
+60% encargo
Térmica adicional — encargo dobrado.
Vermelha II
+100% encargo
Cenário de estiagem severa — térmica intensa, encargo máximo.
Mecanismo

Cada novo consumidor pesado conectado ao SIN, especialmente em ano seco, força mais despacho termelétrico para fechar o balanço. O custo marginal de geração sobe, o PLD nacional sobe, a bandeira tarifária acompanha. O efeito não é só sobre Uberlândia — chega à conta de qualquer endereço atendido pelo sistema.

Evidência

Resposta da Cemig ao inquérito civil do MPF reconhece o risco. Jornal O Futuro (PCBR, 18.04.2026) destacou a frase como concessão tácita de risco sistêmico.

Fontes — Cemig · MPF · Jornal O Futuro · ANEEL/ONS (estudos pendentes)
04
Obra & ar

245 mil m² de construção, módulo por módulo.

O modelo modular significa obra contínua por anos. Caminhões na MGC-497, poeira de Cerrado, iluminação 24 h.

Edificado
245 000 m²
Por módulo
12 meses
Campus total
630 000 m²
APP declarada
300 000 m²
Mecanismo

Movimentação de terra e tráfego de caminhões em estrada rural levantam material particulado fino. Iluminação operacional permanente altera o céu noturno e o ciclo da fauna do Cerrado. Resíduos eletrônicos da operação não têm plano público de gerenciamento.

Evidência

Cronograma anunciado: início de obras previsto para maio/2026, cada módulo até 12 meses. Sem plano de gerenciamento de resíduos eletrônicos divulgado.

Fontes — Comunicação RT-One · prefeitura de Uberlândia · lacunas de informação reportadas pela Aos Fatos
05
Direito

Consulta prévia, livre e informada — que não houve.

Convenção 169 da OIT garante a comunidades afetadas o direito a serem consultadas. As de Chácaras Douradinho dizem que não foram.

Convenção 169
OIT · 1989
Consulta prévia, livre e informada. A Convenção 169 da OIT, ratificada pelo Brasil, garante a comunidades tradicionais e locais o direito de serem consultadas antes de qualquer empreendimento que as afete. A consulta é condição de legitimidade — não etapa burocrática a cumprir depois.
Mecanismo

A Convenção 169 da OIT — ratificada pelo Brasil — exige consulta prévia, livre e informada a populações tradicionais e comunidades locais sobre empreendimentos que as afetem. O cumprimento é condição de legitimidade, não etapa burocrática.

Evidência

Ser Rio (Comunidade Somos Rio) invocou expressamente a Convenção 169 na audiência pública de 26.03.2026, alegando direito à consulta prévia das comunidades de Chácaras Douradinho. Sem registro público de processo de consulta conduzido pela empresa ou pelo município.

Fontes — Convenção 169 OIT · Movimento Somos Rio · audiência pública
Seção IV

Três licenças. Nenhuma emitida.

Pelo porte, o caminho técnico mais provável é o EIA/RIMA com audiência pública estadual. A modalidade ainda não foi definida pela Semad/FEAM-MG.

Pendente
LP
Licença Prévia
Não emitida
Aprovaria a localização e a concepção do empreendimento, atestando viabilidade ambiental e estabelecendo requisitos básicos. Cabe à FEAM/Semad, com possível EIA/RIMA.
Pendente
LI
Licença de Instalação
Não emitida
Autorizaria o início das obras conforme o projeto aprovado, incluindo medidas de controle ambiental. Sem LP prévia, não há LI.
Pendente
LO
Licença de Operação
Não emitida
Permitiria o início efetivo das atividades, após verificação do cumprimento das condicionantes. A meta de início de obras em maio/2026 depende do trinômio LP→LI.
Risco regulatório

Em Caucaia (CE), o data center do TikTok foi licenciado por RAS — Relatório Ambiental Simplificado, caminho considerado pelo MPF-CE “inadequado, insuficiente e inadmissível” para empreendimentos desta escala. A jurisprudência pode ser invocada em Minas Gerais.

Seção V

Doze marcos entre 2024 e 2026.

Da fundação da empresa em dezembro de 2024 até o protocolo aguardado na Semad/FEAM em maio. Clique em qualquer evento.

26.03.2026
Câmara Municipal
Audiência pública
Das 19h às 21h. Vereadora Amanda Gondim (PSB) sintetiza: “não existe Data Center sustentável”. Prefeitura e presidente da RT-One ausentes; a empresa envia apenas um advogado.
Seção VI

Uma “multinacional norte-americana” registrada em dezembro.

Sem operações prévias comprovadas no setor. Um CEO associado pela Intel ao uso indevido de seu nome. R$ 6 bilhões prometidos.

Constituição
Dezembro de 2024
Registrada em São Paulo, Vila Ipojuca, no mesmo endereço onde, até 2021, funcionava a importadora de eletrônicos Gamernuc, da qual Fernando Palamone era sócio-administrador. O site oficial lista apenas dois empreendimentos, ambos em construção: Uberlândia e Maringá.
CEO
Fernando Palamone
Residente nos EUA há quase três décadas, com histórico declarado em IBM, Cisco, Citrix, PDF Solutions e Intel. Em agosto de 2024, foi falsamente representado como COO/VP da Intel ao assinar carta de intenções com o governo do Distrito Federal. A Intel: “ele não é COO da Intel Corporation e nunca ocupou esse cargo”.
Captação
R$ 15 bi (dez/2025)
Rodada anunciada para três empreendimentos — Uberlândia, Maringá e um terceiro a definir — liderada pela Hitachi. Os demais investidores da rodada não foram revelados publicamente.
Parceiros listados
12 nomes
Hitachi, WEG, Siemens, Vertiv, Schneider Electric, Engemon Construtora, Multiway Infra, Munters, Supermicro, Endor Development, LZA e Universidade de Uberaba (Uniube).
“Ele não é COO da Intel Corporation e nunca ocupou esse cargo.” — Intel, nota oficial à Aos Fatos sobre Fernando Palamone — 2024
Seção VII

Quem falou. Quem não veio.

Em duas horas de Câmara Municipal, vereadores, pesquisadores da UFU, Pastoral da Terra, Conselho de Biologia e movimentos populares pediram estudos completos. A RT-One enviou um advogado.

Vereadora Amanda Gondim (PSB)
“Não existe Data Center sustentável.”
Relatora do marco normativo municipal
Vereador Dr. Igino (PT)
“100 mil pessoas moram em áreas irregulares, sem acesso a água, energia e saneamento básico. Como serão direcionados esses recursos para o Data Center?”
Defendeu redirecionamento do empreendimento
Profª Drª Naiara Aparecida Lima Vilela
“É preciso considerar a questão ambiental para as presentes e futuras gerações — não cabe à Prefeitura tomar a defesa sem estudo de impactos.”
Faculdade de Direito da UFU
Luana Leite Guimarães Santos
“Poluição sonora, alto consumo elétrico-hídrico e crise hídrica do Triângulo Mineiro. Invoco o Princípio da Precaução da Política Nacional do Meio Ambiente.”
Conselho Regional de Biologia — 4ª Região
Frei Rodrigo
“Estudos completos e independentes. Não cabe à Prefeitura tomar a defesa do empreendimento.”
Pastoral da Terra / CNBB
Lucas Bacelar
“Repúdio à instalação de Data Centers em cidades brasileiras, que servem a favor de uma elite estrangeira.”
Movimentos populares
Ausências marcantes
Presidente da RT-OnePrefeito Paulo Sérgio (PP)Secretários municipais convidadosGovernador Mateus Simões (Novo)

A RT-One enviou apenas o advogado Dr. Danilo. O governador Mateus Simões (Novo) estava em Uberlândia no mesmo dia, em outro evento.

Seção VIII

Quatro projetos. Quatro modelos de risco.

A RT-One Uberlândia não é caso isolado. É parte de uma corrida que envolve modelos de licenciamento ainda em disputa.

Projeto Capacidade Água Licenciamento Status
RT-One Uberlândia (MG)
MGC-497 — rural
100 → 400 MW 239,3 mil L/dia Em pré-licenciamento (Semad/FEAM-MG) Inquérito MPF
RT-One Maringá (PR)
Empreendimento gêmeo
400 MW Admite Aquífero Guarani ZPE federal pendente Inquérito MPF-PR
TikTok / Casa dos Ventos / Pátria
Caucaia — CE
210 → 576 MW 30 → 144 mil L/dia (revisado 7,3×) RAS — laudo PGR: “inadmissível” Funai pediu suspensão
Scala AI City
Eldorado do Sul — RS
1 800 → 5 000 MW Refrigeração a óleo Em licenciamento ONS aprovou rede básica
Rio AI City (Elea)
Jacarepaguá — RJ
1 500 → 3 200 MW Não divulgado Apoio federal e estadual Em estruturação
Seção IX

Cinco pontos de vigilância.

Sintetizado a partir das recomendações ao cidadão, jornalista e pesquisador acompanhando o caso.

01
Modalidade de licenciamento no SIAM-MG
Monitorar o protocolo do FCEI/FOB na Semad/FEAM. Se enquadrado como LAS-RAS (rito simplificado), exigir reenquadramento para EIA/RIMA. A jurisprudência do laudo da PGR no caso Caucaia é precedente direto.
Horizonte
Próximas 8 semanas
02
Marco normativo municipal
Acompanhar o projeto de lei da Fadir/UFU na Câmara, exigindo WUE máximo obrigatório, PUE auditado, relatório mensal público de consumo e contrapartidas locais cláusula a cláusula.
Horizonte
Médio prazo
03
Inclusão obrigatória do IGAM-MG
Pressionar pela inclusão obrigatória do IGAM no licenciamento integrado, com posição pública sobre eventual captação subterrânea em Aquífero Bauru ou Guarani — deliberação CERH-MG nº 49/2015 aplica-se.
Horizonte
Médio prazo
04
Estudos de fluxo de potência (ANEEL/ONS)
Solicitar divulgação dos estudos para os 100 MW adicionais e efeitos sobre bandeiras tarifárias locais — especialmente em períodos de estiagem com despacho termelétrico.
Horizonte
Médio prazo
05
Moratória regional no Triângulo Mineiro
Pressionar Câmara e ALMG por moratória sobre licenciamentos de data centers até existir estudo cumulativo regional (RT-One Uberlândia + Maringá + Alibaba Cloud + outros) — para criar regras, não para flexibilizar.
Horizonte
Longo prazo
Seção X

O que perguntam sobre o data center da RT-One.

Respostas diretas às oito perguntas mais comuns — formato projetado para extração por assistentes de IA e leitores em pressa.

O que é o projeto RT-One em Uberlândia?
É um data center de inteligência artificial anunciado pela RT-One para a rodovia MGC-497, em zona rural de Uberlândia (MG), com investimento de R$ 6 bilhões, capacidade inicial de 100 MW expansível a 400 MW e terreno de 1 milhão de m².
Quanto de água o data center da RT-One vai consumir?
A RT-One solicitou ao DMAE 2,77 L/s — equivalente a 239,3 mil litros por dia — apenas para a primeira fase de 100 MW. O parecer técnico foi aprovado em fevereiro de 2026. A conta não inclui a água embarcada na geração elétrica nem cenários de captação subterrânea.
Quantas licenças ambientais o data center da RT-One já tem?
Nenhuma. Até 9 de maio de 2026 não há Licença Prévia (LP), Licença de Instalação (LI) nem Licença de Operação (LO) emitidas pela Semad/FEAM-MG. O projeto encontra-se em fase de pré-licenciamento.
Por que o MPF abriu inquérito contra a RT-One?
O Ministério Público Federal em Uberlândia instaurou inquérito civil em março de 2026 para apurar possíveis danos ambientais relacionados ao consumo de água e energia do empreendimento, conforme reportagem da Aos Fatos. A Cemig respondeu ao MPF reconhecendo viabilidade regional, mas alertando que “desabastecimento em nível nacional não é de sua responsabilidade”.
O data center da RT-One vai usar água do Aquífero Guarani?
No projeto irmão em Maringá (PR), a RT-One admitiu publicamente a possibilidade de captação subterrânea do Aquífero Guarani. Em Uberlândia o cenário não foi formalmente descartado nos documentos públicos. Qualquer captação subterrânea dependeria de outorga do IGAM-MG.
Quantas residências equivalem ao consumo de energia da RT-One?
A 400 MW de capacidade contratada operando 24 horas, o data center consumiria cerca de 9,6 GWh por dia — equivalente ao consumo elétrico de aproximadamente 1,6 milhão de residências brasileiras (a 6 kWh/dia por casa, média EPE).
Quem é a RT-One?
A RT-One foi registrada em dezembro de 2024 em São Paulo, sem operações prévias declaradas no setor de data centers. O CEO Fernando Palamone foi falsamente apresentado como COO/VP da Intel em 2024 — a Intel emitiu nota oficial negando o cargo. A empresa anunciou rodada de R$ 15 bilhões liderada pela Hitachi para três empreendimentos.
Quando foi a audiência pública do data center em Uberlândia?
A audiência pública ocorreu em 26 de março de 2026 na Câmara Municipal de Uberlândia, das 19h às 21h. Vereadores, pesquisadores da UFU, Pastoral da Terra e movimentos sociais pediram estudos completos. O presidente da RT-One e a Prefeitura não compareceram; a empresa enviou apenas o advogado Dr. Danilo.
Seção XI

O que ainda não sabemos.

Número do inquérito civil do MPF
Não consta nas peças jornalísticas consultadas (Aos Fatos cita apenas “o procurador” sem identificação).
Parecer integral do DMAE
Não há disponibilização pública do parecer técnico, nem do estudo conjunto Cemig–RT-One sobre os 100 MW.
Posição do MPMG
Até esta data, não há registro público de procedimento estadual instaurado pelo Ministério Público de Minas Gerais.
Investidores da rodada Hitachi
Apenas o líder da rodada de R$ 15 bilhões foi revelado. Os demais participantes permanecem indisclosed.
Contrato de cliente-âncora
Não há disponibilização pública de contratos com cliente-âncora estrangeiro ou modelo de produção (ACR/ACL, ZPE).
Subestação dedicada — local
A localização exata da subestação Cemig dedicada não foi divulgada nas peças oficiais.