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Subestação da Cemig para RT-One: Quem Paga a Conta?

RT-One negocia subestação dedicada com a Cemig em Uberlândia. Investimento de R$ 160 milhões em infraestrutura elétrica. A população vai subsidiar?

3 min read energia cemig rt-one uberlandia economia

A Negociação em Andamento

O secretário municipal Fabiano Alves confirmou ao Mobile Time (27/02/2026) que a RT-One está em “etapa final de negociação com a Cemig” para instalar uma subestação dedicada.

A Cemig já tinha previsto R$ 160 milhões em obras de duas novas subestações em Uberlândia — com expansão de 50% na capacidade. A questão: essas obras servirão principalmente ao data center?

Os Números

ItemValor
Investimento CemigR$ 160 milhões
Capacidade RT-One fase 1100 MW
Capacidade RT-One total400 MW
Equivalente residencial1,6 milhão de casas

Quem Paga Pela Infraestrutura?

Três cenários possíveis:

  1. A empresa paga — Ideal, mas improvável sem pressão
  2. A concessionária paga — Custo repassado nas tarifas de todos
  3. O governo subsidia — Dinheiro público para benefício privado

A Cemig não esclareceu publicamente como será a divisão de custos.

O Que a Cemig Disse ao MPF

Em resposta ao inquérito civil do MPF, a Cemig afirmou:

“O sistema elétrico regional apresenta condições técnicas adequadas para absorver a carga adicional.”

Porém, acrescentou:

“O impacto de desabastecimento energético ou hídrico em nível nacional não é de sua responsabilidade.”

Ou seja: a Cemig garante capacidade técnica local, mas não se responsabiliza por impactos sistêmicos.

Risco de Aumento de Tarifas

Quando concessionárias investem em infraestrutura, o custo é repassado aos consumidores através das tarifas. Se a subestação dedicada for custeada pela Cemig:

  • Todos os consumidores de MG pagarão
  • O benefício será de uma única empresa
  • O retorno em empregos locais é mínimo

Prioridade de Atendimento

Uma subestação “dedicada” pode significar prioridade de fornecimento para o data center. Em caso de racionamento ou falhas:

  • O data center será desligado primeiro?
  • Ou a população ficará sem luz para manter servidores funcionando?

Não há resposta pública para essa pergunta.

O Que Exigir

  1. Transparência na divisão de custos da subestação
  2. Compromisso público de que tarifas não aumentarão por causa do data center
  3. Cláusula de prioridade garantindo que residências têm precedência
  4. Auditoria independente do acordo Cemig-RT-One

Conclusão

R$ 160 milhões em infraestrutura elétrica não devem beneficiar apenas uma empresa. Uberlândia precisa de clareza sobre quem paga e quem se beneficia.


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Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).