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Prefeito comemora transparência enquanto esconde data center

Selo Diamante de transparência no Facebook, zero transparência sobre o maior projeto da cidade: a ironia do prefeito Paulo Sérgio em Uberlândia.

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O Selo Diamante que não reflete no maior projeto da cidade

Em 24 de fevereiro de 2026, o prefeito Paulo Sérgio (PP) de Uberlândia postou em seu Facebook uma celebração: o “Selo Diamante de Transparência” — 97,1% de conformidade com lei de acesso à informação. Foto da certificação, texto de bravata, parabéns ao governo exemplar.

Uma semana depois, qualquer cidadão que pedisse acesso a informações sobre o data center RT-One — o maior projeto anunciado para a cidade nos últimos anos — recebia resposta padrão: informação sob sigilo comercial, empresas privadas não querem divulgar, cidadão precisaria assinar confidentiality agreement para saber qualquer coisa.

Não há ironia mais perfeita.


A matemática da transparência seletiva

O Selo Diamante mede conformidade com Lei de Acesso à Informação — respostas dentro do prazo, formulários preenchidos, documentos públicos disponíveis. É métrica de processo, não de conteúdo.

Tradução: a prefeitura pode responder “nós, sim, temos essa informação, mas está sob sigilo” e ainda marcar como “respondida dentro do prazo”. Checkbox verde. Selo conquistado.

Enquanto isso, cidadãos interessados em saber os termos do maior investimento privado na história da cidade — água consumida, impactos ambientais, contrapartidas à prefeitura, cronograma de obras — ouvem: “É assunto privado. Dirija-se à empresa. Assine um NDA.”


O silêncio que documenta omissão

Documentado por Aos Fatos e Intercept Brasil: prefeituras brasileiras usam cláusulas de confidencialidade para justificar sigilo de data centers. A RT-One — especificamente — tem histórico de recusa de informação e identidades falsas (se representou como Intel).

Em Uberlândia, a prefeitura adotou o script padrão: “Nós facilitamos apenas um acordo entre partes privadas. Não somos responsáveis por monitorar impactos. Quer saber detalhes? Converse com a empresa. Quer que a empresa te conte? Assine o sigilo.”

E o prefeito? Anuncia Selo Diamante de transparência enquanto esconde o projeto que mais importa para o futuro hídrico, energético e ambiental da cidade.


Comparação: o que é visível e o que é secreto

ItemTransparênciaSigilo
Contratos da prefeitura com fornecedoresPublicadoSim
Salários de servidoresPublicadoSim
Licenças ambientais do data centerNão existeSim
Consumo de água autorizadoPublicado (mas omisso)Parcialmente
Termos financeiros do data centerSigiloSigilo total
Cronograma de obrasSigiloSigilo total
Contrapartidas à cidadeSigiloSigilo total
Selo Diamante do prefeitoCelebradoVisível

O Selo Diamante é verdadeiro, tecnicamente. A prefeitura responde seus formulários de Lei de Acesso. Mas a informação mais importante — aquela que afeta a vida de 700 mil pessoas — fica em limbo de sigilo comercial e confidencialidade.


A palavra que encerra tudo: “Privado”

Toda vez que alguém pergunta sobre o data center, a prefeitura bate na mesma tecla: é setor privado, empresa privada, acordo privado. “Nós, prefeitura, apenas facilitamos.”

Só há um problema: a prefeitura assinou a outorga de água. A prefeitura zoneou o terreno. A prefeitura emitiu parecer. A prefeitura publicou cronograma de acessos viários. A Cemig, estatal, está construindo subestação exclusiva.

Tudo é “privado” quando é inconveniente contar. Tudo é “público” quando é conveniente comemorar.


O sigilo que documentos vazados desmentem

Quando documentos sobre o data center vazam (audiências públicas, pareceres do DMAE, intenções de ato administrativo), mostram o que a “confidencialidade” escondia: dilemas não resolvidos, análises incompletas, impactos minimizados.

A audiência de março de 2026 revelou: prefeitura não compareceu, prefeito ausente. O parecer do DMAE revelou: análise superficial de impacto hídrico. O cronograma revelou: obras adiantadas sem LP/LI/LO ambiental.

Tudo isso estava “sigiloso” quando era para a cidade saber. Virou público quando foi para registro histórico.


A ironia em retrospecto

24 de fevereiro: “Selo Diamante, 97,1% de transparência!”

Semanas depois: “Informação sobre data center? Sob sigilo. Dirija-se à empresa. Assine o confidentiality agreement.”

Meses depois: “Não, não temos LP/LI/LO. Licença está em limbo. MPF abriu inquérito. Você quer saber mais? Espera.”

E o Selo? Ainda no Facebook. Ainda celebrado. Ainda verde.


Transparência para quem precisa saber menos

O Selo Diamante serve seu propósito: dar ao prefeito certificado de “governo moderno”. Respostas práticas, índices positivos, foto no jornal.

Mas não funciona para o único assunto que importa: o futuro ambiental da cidade, decidido em silêncio comercial, com assinatura eletrônica de NDA, e celebrado com Selo Diamante.

Há uma lição aqui: transparência de processo não é transparência de resultado. Você pode responder todas as perguntas corretas em 30 dias — e esconder as respostas que realmente importam em cláusula confidencial.

O Selo Diamante de Paulo Sérgio prova isso perfeitamente.


Fonte: Aos Fatos — Corrida dos data centers no Brasil ignora impacto ambiental e tem até uso de identidades falsas; Intercept Brasil — Big techs usam outras empresas para operar data centers no Brasil

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).