Blog

Comissão de Meio Ambiente questiona: prefeito ausente de novo

ALMG debate impactos ambientais da RT-One em Uberlândia enquanto prefeito Paulo Sérgio segue invisível na polêmica mais importante da cidade.

4 min read opiniao prefeito paulo-sergio almg rt-one uberlandia meio-ambiente

Enquanto a ALMG questiona, o prefeito segue em silêncio

Nesta quinta-feira, 2 de julho, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALMG realiza audiência pública sobre o data center RT-One em Uberlândia. Pesquisadores e moradores discutem impactos ambientais. O prefeito Paulo Sérgio? Seguramente estará ocupado com algo mais importante — como postar uma foto na creche.

A Comissão questionará a empresa sobre regulamentação ambiental que não existe, estudos de impacto que não foram realizados e legislação específica para data centers que ninguém no Brasil ainda desenhou. Nada que interesse um prefeito que celebra transparência com um Selo Diamante em 2024 e esconde a maior obra da cidade.


O vácuo regulatório que ninguém em São Paulo mencionou

A deputada que coordena a Comissão denunciou em comunicado oficial: “ausência de legislação ambiental” para data centers. Não há EIA/RIMA, não há Licença Prévia, não há Licença de Instalação, não há Licença de Operação.

O projeto da RT-One tramita em limbo municipal e estadual, esperando alguém dizer “não”—algo que o prefeito nunca dirá, porque assinou a carta de intenção sem publicar seus termos.


O consumo de energia que “ninguém imaginava”

Um detalhe que não aparecerá na audiência de hoje porque está enterrado em relatórios técnicos: data centers estão previstos para aumentar o consumo de energia do Brasil em 11 vezes até 2030, passando de 304 MW em 2026 para 3.457 MW em 2030.

A RT-One em Uberlândia começará com 100 MW de potência. Expandirá para 400 MW. Cada megawatt consome água, gera calor, pressiona a Cemig e sua subestação de R$ 160 milhões — que a prefeitura negocia para o contribuinte pagar.

A Comissão de Meio Ambiente vai debater isto. O prefeito hasteará a bandeira branca da omissão, como fez em março de 2026 quando foi ausente à audiência pública anterior na Câmara Municipal.


A tabela que o prefeito nunca mostrou

Promessa do PrefeitoRealidade Documentada
”Energia renovável só”400 MW de consumo crescente num grid sobrecarregado
”Impacto menor que 300 casas”239 mil litros de água por dia; gerador diesel de backup
”Projeto aprovado e regulado”Sem EIA/RIMA, sem licenças ambientais
”Gerará empregos permanentes”Menos de 100 permanentes, maioria mão de obra externa
”Transparência total”Contrato nunca publicado, isenção fiscal de 5 anos oculta

Quem comparece, quem não

Na audiência de hoje comparecem:

  • Marcos Morais, tecnologista
  • Cynthia Picolo, diretora do Laboratório de Políticas Públicas e Internet
  • Pesquisadores
  • Moradores dos bairros Pequis e Monte Hebrom

Quem provavelmente não comparecerá:

  • O prefeito Paulo Sérgio

Ele estará, como sempre, em outra inauguração, outra reunião fechada com a Fiemg, ou outra férias em Lisboa — como fez em maio de 2026, quando voou a Portugal para reuniões com embaixadas e câmaras de comércio, enquanto a audiência municipal sobre o data center aguardava.


O que a ALMG vai dizer que não vai mudar nada

A Comissão dirá que falta regulamentação. Está certo.

Dirá que faltam estudos de impacto. Verdade.

Dirá que o projeto avança sem licenciamento adequado. Documentado.

E depois? O projeto segue. A prefeitura segue. A RT-One segue. O Ministério Público Federal abriu inquérito civil, mas isso também não aparecerá no Facebook do prefeito como conquista de governo.

O silêncio é a política de Uberlândia em julho de 2026. A ALMG questiona. O povo reclama. E o prefeito posta uma foto de bolo de aniversário da creche no Pequis — a mesma creche que fica a 12 km do data center que vai consumir 400 MW de energia e 239 mil litros de água por dia.


Fonte: ALMG — Comissão de Meio Ambiente

Leia também:

Publicado por:

E

Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).