O assunto é o chão. Não o time.
Quando aparece o nome Master perto de um projeto bilionário em Uberlândia, a conversa na rede costuma mudar de tema em segundos: partido, eleição, “é do outro lado”.
A cidade não precisa disso.
O que precisa é de papel na mesa: quem é dono do terreno, quanto valia, quanto vale agora, quanto paga de aluguel, quem administra o fundo e se a operação aguenta uma auditoria de verdade. Quem não deve não teme. Quem deve some no slogan.
Três números que qualquer um entende
Segundo o Intercept Brasil (13/07/2026) e o que já está reunido em Terreno Bacuri × RT-One × Master:
| Fato | Valor |
|---|---|
| Compra do terreno (2019) | R$ 14 milhões |
| Avaliação no balanço 2025 | R$ 76 milhões |
| Arrendamento à RT-One | R$ 1 mil por mês, por 15 anos |
Área de quase 1 km². Aluguel de mil reais. Retorno na casa de 0,7% ao ano sobre o valor da escritura fiscal (R$ 1,78 milhão). Em linguagem de quem paga boleto: ou o fundo aceitou um negócio ruim demais para ser só “investimento normal”, ou o negócio de verdade não está no aluguel.
Os auditores independentes registraram que faltaram laudos “apropriados e suficientes” para sustentar os R$ 76 milhões. Isso não é meme. É relatório.
O que o Master tem a ver (sem forçar a barra)
O elo documentado não é “tal político é dono do data center”. É mais seco — e por isso mais sério:
- O terreno está no FII Bacuri (cartório de Uberlândia).
- O fundo foi administrado pela Reag Trust e depois pela WNT Capital.
- Essas gestoras estão no radar do caso Master e de operações da Polícia Federal (no caso da WNT, a Compliance Zero).
- A RT-One aluga o terreno e anuncia o campus de R$ 6 bilhões.
Até 13/07/2026, o Bacuri não havia sido citado nome a nome nas investigações do Master. Ou seja: não se trata de condenar no grito. Trata-se de apurar com método. O mapa completo, sem atalho: Daniel Vorcaro, Master e o data center.
Quem leva a sério o combate a esquema financeiro grande não escolhe o dia da semana para olhar o extrato. Olha quando o extrato bate na porta da cidade.
Desenvolvimento de verdade aguenta pergunta
Ninguém aqui é contra emprego, tecnologia ou investimento limpo. O problema começa quando o “maior projeto da história” chega junto com:
- Contratos da prefeitura não publicados — isenções, prazos, contrapartidas (Redata e o que a cidade não vê).
- Licença ambiental em aberto — sem EIA/RIMA, com inquérito do MPF desde set/2025.
- Água — 239 mil litros por dia no papel do DMAE.
- Energia — subestação dedicada da Cemig de R$ 160 milhões: quem paga no fim?
- Emprego permanente — bem abaixo do marketing de R$ 6 bi.
Perguntar isso não é “contra a cidade”. É a favor de não comprar gato por lebre. Família, torneira, conta de luz e patrimônio público vêm antes de qualquer legenda de rede social.
O que dá para cobrar sem entrar em briga de camisa
Lista curta, prática, de qualquer cidadão:
- Publicar os termos do acordo municipal com a RT-One.
- Exigir laudos de avaliação do terreno compatíveis com o balanço de R$ 76 milhões.
- Esclarecer a racionalidade do aluguel de R$ 1 mil/mês.
- Completar o licenciamento ambiental com estudo de impacto de verdade.
- Responder ao que o MPF e a imprensa já puseram na mesa — com documento, não com silêncio.
Poder público transparente não se ofende com pergunta. Se ofende quem prefere o escuro.
Independente de quem postou o vídeo
Uma deputada federal levou o tema ao STF e publicou no Facebook. Parte do feed respondeu falando de eleição e de partido. Tudo bem discordar de político — é direito. O terreno, o fundo e o aluguel, porém, não mudam de número conforme a biografia de quem falou.
Este blog existe para monitorar o data center em Uberlândia: água, energia, licença, dinheiro e impacto no dia a dia. Não para arbitrar camisa. A luta útil é simples:
Papel na mesa. Investigação séria. Cidade em primeiro lugar.
Se o Master é o maior escândalo financeiro que muita gente já viu na vida, o mínimo é não deixar o rastro dele — mesmo que indireto, mesmo que só no radar das gestoras — passar batido no chão onde a cidade vai conviver com 400 MW e milhões de litros de água.
Quem não deve não teme. Quem teme troca o assunto.
Fonte: Facebook — Dandara (vídeo)
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