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Helicóptero a Serviço do TikTok, Data Center sem Fiscalização

Prefeitura mobilizou helicóptero do SIAT, SETTRAN, ambulâncias e equipe de cinema no Parque do Sabiá para gravar vídeo pessoal. Na audiência do data center de R$ 6 bi, não mandou ninguém.

5 min read opiniao prefeito paulo-sergio rt-one uberlandia

Helicóptero, SETTRAN, equipe de cinema. Audiência pública, ninguém.

No dia 21 de maio de 2026, o Parque do Sabiá virou set de filmagem. Helicóptero sobrevoando a área, viaturas da SETTRAN enfileiradas como cenário, ambulâncias estacionadas, equipe cinematográfica com equipamento profissional. Uma estrutura que faria inveja a qualquer produtora — exceto pelo detalhe: era tudo bancado com dinheiro público.

O destino das imagens? As redes sociais do prefeito Paulo Sérgio (PP). O conteúdo foi postado no dia 28 de maio, data de lançamento oficial do SAMU Regional. Mas a aeronave que aparece nas imagens era do SIAT — o SAMU ainda não existia em 21 de maio. A máquina pública inteira foi mobilizada para uma produção de “tiquetoque”.

Já em 26 de março, quando a Câmara Municipal realizou audiência pública sobre o data center da RT-One — R$ 6 bilhões, 400 MW de potência, 1 milhão de metros quadrados às margens da MGC-497 —, a prefeitura não enviou ninguém. Nem o prefeito, nem um secretário, nem um assessor. A RT-One mandou só o advogado.


Quanto custa um story do prefeito?

Fazer as contas da produção do Parque do Sabiá exige imaginação — a prefeitura não publicou os custos. Mas os itens são visíveis:

  • Aeronave: hora de voo, combustível de aviação, piloto. Dinheiro público.
  • Viaturas da SETTRAN: deslocadas da fiscalização de trânsito para servir de adereço cênico.
  • Ambulâncias: paradas no parque, sem atender ocorrência nenhuma.
  • Equipe de cinema: câmeras, drone, direção de fotografia, produção contratada.

Tudo para quê? Para gravar um vídeo de redes sociais. Não para atender emergência, não para salvar vidas, não para fiscalizar. Para marketing pessoal.

A conta que o prefeito não faz é a do data center. A isenção fiscal via Redata por 5 anos significa dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos. A subestação dedicada da Cemig de R$ 160 milhões pode ser repassada à tarifa de todos os mineiros. Os contratos com a RT-One nunca foram publicados.

Mas para o vídeo do helicóptero, a produção foi impecável. Luz, câmera, ação.


Duas mobilizações, dois públicos

O contraste não está apenas no cenário. Está no destinatário.

Gravação no Parque do Sabiá (21/05)Audiência do data center (26/03)
EstruturaHelicóptero, SETTRAN, ambulâncias, droneMicrofone e cadeiras vazias
Presença da prefeituraPrefeito, secretários, equipe de produçãoNinguém
PúblicoSeguidores de TikTok e InstagramMoradores de Uberlândia
CustoDinheiro público, valor não divulgadoZero (e ninguém apareceu)
RegistroImagens em 4K, múltiplos ângulosAta da Câmara
Data center mencionado?NãoTambém não

O prefeito sabe mobilizar. Depende do objetivo. Se for para engajar seguidor, a frota municipal está à disposição. Se for para responder aos moradores do Pequis e Monte Hebrom, o telefone não toca.


Um helicóptero a serviço de quem?

No dia 21 de maio, o helicóptero ainda era do SIAT. O SAMU Regional só seria lançado oficialmente no dia 28 — uma semana depois. Isso significa que a aeronave emprestada à produção cinematográfica do prefeito não pertencia ao serviço de emergência que o vídeo anunciava.

Enquanto a câmera registrava a cena ensaiada de “atendimento aéreo”, os fatos sobre o data center continuavam sem registro nenhum:

É a mesma administração que celebra 97,1% de transparência. A mesma que tem agenda internacional em Portugal, mas falta à audiência pública no próprio município. A mesma que mobiliza helicóptero e frota municipal para um story e não mobiliza um assessor para explicar o maior projeto da história de Uberlândia.

O helicóptero serviu ao SAMU? Serviu. Mas uma semana antes de o serviço existir, ele já servia ao TikTok do prefeito.


Servidores públicos a serviço de quê?

O prefeito tem o direito de divulgar ações da gestão. Tem o dever de prestar contas. Mas gravar conteúdo para redes sociais privadas com estrutura paga pelo contribuinte não é comunicação institucional — é produção cinematográfica com orçamento público.

O dinheiro dos impostos e os servidores municipais devem atender às necessidades da população. Coisa que a audiência do data center, abandonada pelo Executivo, mostra que ainda não aconteceu.

Se o helicóptero pode parar no parque para filmar, por que o prefeito não pode parar na Câmara para explicar?


Fontes:

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).