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Prefeito Visita Escola no Pequis e Esquece o Data Center na Esquina

Paulo Sérgio celebra 22% de uma EMEI de 1.500 m² no Pequis. A 2 km dali, um data center de 1 milhão de m² avança sem EIA/RIMA. Futuro da nossa gente ou marketing eleitoral?

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Uma mão constrói creche. A outra assina data center.

Em 10 de abril de 2026, o prefeito Paulo Sérgio (PP) publicou um post entusiasmado do bairro Pequis. “AVANÇO NO PEQUIS!”, anunciava, com direito a emoji de construção e selfie na obra. A nova EMEI do bairro atingiu 22% de conclusão: 1.500 m² de área construída, berçário, lactário, salas de amamentação e 370 vagas para crianças.

O post falava em “planejamento sério”, “compromisso” e “construir o futuro da nossa gente”. Terminava com o prefeito garantindo que segue “no trecho, fiscalizando e garantindo que cada obra seja entregue com qualidade e no prazo”.

Nenhuma linha sobre o vizinho.

A poucos quilômetros dali, às margens da MGC-497, o terreno de 1 milhão de m² da RT-One espera para se tornar o maior data center de IA do Sudeste. O projeto não tem EIA/RIMA. Não tem licença ambiental. Não teve audiência pública com a presença do Executivo. Mas o prefeito estava no bairro — fiscalizando o cimento, não o impacto.


1.500 m² de escola, 1.000.000 m² de silêncio

A nova EMEI do Pequis terá 1.500 metros quadrados. O terreno da RT-One tem 1 milhão de metros quadrados — 666 vezes o tamanho da escola.

Para as crianças, o prefeito reservou 370 vagas. Para o data center, menos de cem empregos permanentes, a maioria ocupada por mão de obra especializada de fora.

A escola precisa de água para o berçário e o lactário. O data center consumirá 239 mil litros de água tratada por dia, em um bairro que já enfrenta restrições hídricas.

A EMEI foi planejada, orçada, licitada. O data center tramita sem EIA/RIMA, num limbo entre o licenciamento municipal e o estadual.

O prefeito fiscaliza a primeira. A segunda, ele nem menciona.


”Fiscalizando cada obra com qualidade e no prazo”

A frase é do post. O prefeito posa de capacete na obra da EMEI, olhando a planta, fiscalizando. Justo. É o trabalho dele.

Mas o que ele fiscalizou do data center?

Nada disso teve fiscalização pública. Nem uma única foto de capacete.


”Construindo o futuro da nossa gente”

A frase de encerramento do post é bonita. Merece aplauso. Toda criança merece creche, berçário, sala de amamentação.

Mas o futuro daquelas 370 crianças do Pequis inclui crescer ao lado de um data center de 400 MW. Inclui dividir a água do bairro com um complexo industrial de refrigeração contínua. Inclui ouvir o zumbido de geradores a diesel em horário de pico. Inclui disputar capacidade da rede elétrica com servidores de inteligência artificial.

O prefeito entregou a chave da creche. Mas esqueceu de avisar que, no mesmo quarteirão estendido, outra chave já foi entregue — para uma empresa que não tem histórico operacional comprovado, não paga imposto por 5 anos graças ao Redata, e não precisou apresentar estudo de impacto ambiental.

Construir o futuro da nossa gente exige construir os dois lados da rua. Ou pelo menos admitir que o segundo existe.


Duas obras, dois pesos, nenhuma medida

O contraste está dado:

EMEI do PequisRT-One Data Center
Área1.500 m²1.000.000 m²
Vagas/empregos370 crianças< 100 postos permanentes
Status22% concluído, fiscalizadoSem EIA/RIMA
ÁguaBerçário e lactário239 mil litros/dia
Presença do prefeitoSelfie de capaceteAusente na audiência pública

O prefeito tem o direito de celebrar a escola. Tem o dever de fiscalizar o data center. Até agora, cumpriu só metade.


Fonte: Facebook — Paulo Sérgio

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Publicado por:

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Equipe Data Center Uberlândia

Monitoramento Ambiental e Socioeconômico

Blog independente que documenta os impactos ambientais e socioeconômicos de data centers em Uberlândia (MG).